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Contoterapia by www.contoterapia.com.br

Anna Rossetto

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Terapia Com Contos | Contoterapia | CNV | Empatia | Storytelling

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O Cavalo Mágico

Era uma vez um rei que tinha uma linda filha. Quando ela cresceu, o rei bolou um truque para testar seus pretendentes. Ele deu comida para uma pulga até ela ficar do tamanho de um camelo. Então, matou-a e tirou-lhe a pele, anunciando que o homem que adivinhasse do que era aquela pele teria sua filha. 


Um dia, seu escravo, que havia ido pegar água na lagoa, exclamou para si mesmo: "Oh, eles são tolos por não adivinharem que é pele de uma pulga!"


Suas palavras foram ouvidas pelo Div, o espírito maligno que vivia na lago. O Div se transformou em um mendigo, foi à corte e disse ao rei: "Eu sei do que é aquela pele - é de uma pulga".


O rei ficou muito infeliz, mas teve que cumprir sua promessa e dar sua filha ao mendigo. Ele não queria fazer isso, mas o Div joga seu chapéu para o alto e um nevoeiro negro encobre o céu como se fosse noite. O rei fica assustado e resolve entregar-lhe a filha. Em seguida, o Div joga o chapéu no chão, e a luz volta à região.


A filha, claro, fica muito triste e amargurada. E vai até o estábulo do rei, sozinha, para chorar. Ali, um pequeno cavalo no estábulo lhe diz: "Leve-me com você, e carregue também um cravo, um pente, um espelho e um pouco de sal".


A princesa pega essas coisas dá início à jornada com o Div, levando consigo o cavalo mágico e um grande séquito de escravos e animais. Mas, ao longo do caminho, o Div começa a comer primeiro os escravos e por fim os animais, até todos serem devorados. 


A princesa fica aterrorizada quando eles se aproximam de uma caverna. O pequeno cavalo lhe recomenda que diga ao Div que entre primeiro, e que eles o seguirão depois. Quando ele e o pequeno cavalo entram na caverna após o Div, ela vê que o local está cheio de esqueletos. O cavalo lhe diz que o Div vai devorá-la também; por isso, ela precisa bater nele e montar no cavalo. Ela faz isso e os dois fogem. 


O Div fica furioso quando vê que eles se foram, e provoca uma tempestade de neve tão forte que os dois não conseguem continuar a viagem. O cavalo mágico, então, diz à princesa que jogue o cravo atrás de si. Quando ela faz isso, toda a planície entre ela e o Div se transforma imediatamente em espessos espinheiros. 


O Div a chama: " Oh, querida noiva, você está tão longe. Como conseguiu atravessar esses espinheiros?"


Ela responde: "Tirei todas as roupas até ficar nua como no dia em que nasci, e atravessei".


O Div tira as roupas, e obviamente tem uma dificuldade ainda maior. Enquanto tenta passar, a princesa e o pequeno cavalo continuam a fuga. 


Mas, por fim, o Div atravessa e logo se aproxima deles novamente. Agora o cavalo mágico diz à joem que jogue sal atrás de si. Imediatamente a área se transforma em um deserto arenoso e um mar salgado entre o Div e os dois fugitivos. 


Novamente, o Div pergunta à princesa: "Oh, querida, como atravessou a areia e o mar?"


Ela responde, de novo: "Tirei as roupas até ficar nua como no dia em que nasci".


Mais uma vez, o Div tira as roupas, o que dificulta ainda mais seu trajeto por essa sombria terra devastada, dando mais tempo para a princesa e o cavalo mágico fugirem.


Mas claro que o encantamento dura pouco, porque o Div acaba superando a distância e se aproxima dos dois pela terceira vez. O cavalo mágico, então, manda a princesa jogar atrás de si o pente. 


Dessa vez surge uma montanha gigante entre os dois e o Div. Quando o Div pergunta à sua noiva como passou por ali, ela lhe diz que arrancou dois dentes e tentou fazer um buraco na montanha. Seguindo tal procedimento, o Div se atrasa mais uma vez, e o cavalo e a princesa se distanciam. 


Porém, assim como das outras vezes, o Div finalmente supera o obstáculo, agora muito zangado, pois pela quarta vez quse os alcança. Incitada pelo cavalo, a jovem joga o espelho atrás de si, e a terra se transforma em um largo e agitado rio.


O Div pergunta: "Oh, querida noiva, como você atravessou o rio"?


Ela respondeu: "Amarrei uma pedra em volta do pescoço e pulei na água."


O Div faz isso e desaparece da história por algum tempo.


A garota e o cavalo finalmente  chegam a uma cabana onde moram um velho e uma velha, que os convidam para ficar. Na manhã seguinte, a jovem adormece perto da cabana. O rei da região, que estava caçando, se perde. Seus servos encontram o gavião do rei repousando sobre a cabeça da princesa. O rei pergunta quem ela é. A jovem tinha pedido ao velho casal que dissessse, caso alguém perguntasse, que ela era a filha deles. Os dois fazem isso. Embora o rei acredite neles, não faz diferença alguma o fato de ela ser de uma família tão humilde, e ele a pede em casamento. Eles se casam e são muito felizes.


Um dia, o rei resolve sair novamente para caçar e pretende ficar fora de casa por oito ou nove meses. A jovem não gosta muito da ideia e fica ainda mais preocupada quando ele quer levar seu cavalo mágico. Mas o cavalo lhe diz que não precisa ter medo; ela deve pegar um pouco de pelo de sua crina e queimá-lo quando estiver em perigo, e ele logo estará com ela. 


Enquanto isso, o Div foge do rio e se prepara para a vingança. Assume a forma e as roupas de um trabalhador humilde e espera sua oportunidade.


Enquanto o rei está ausente, a rainha dá à luz dois meninos, e um mensageiro é enviado até o rei, com uma carta falando-lhe dos gêmeos. É a chance que o Div esperava. Ele manda uma terrível tempestade para deter o mensageiro, e, na confusão, o Div muda a carta, deixando uma mensagem de que a rainha deu à luz um cão e um gato.


Quando o rei recebe a carta, fica assustado e triste, mas manda uma mensagem com ordens para que a rainha não seja molestada. Essa mensagem também é interceptada pelo Div, que faz com que a corte receba uma ordem para mandar a rainha embora em um asno, com seus dois filhos, enegrecer seu rosto e expulsá-la da cidade, para cair em desgraça.


Quando a jovem está deixando a cidade, o Div se aproxima e ri. Diz que a devorará, mas antes a toruturará, comendo primeiro os gêmeos, diante dos olhos da mãe. A rainha pensa rapidamente e diz que ele deveria pelo menos fazer uma refeição decente e armar uma fogueira para cozinhá-los. O Div faz a fogueira decente e com isso ela tem a oportunidade de quimar os pelos da crina do cavalo mágico.


O cavalo mágico aparece imediatamente. Diz a ela que a situação é muito séria e que dessa vez ele terá de lutar com o Div. Se aparecesse sangue ou espuma vermelha no rio, ela saberia que o cavalo havia sido morto pelo Div; mas se aparecesse espuma branca, seria um indício de que estava tudo bem e que o Div havia sido destruído.


Ocorre, então, a luta entre o caval mágico e o Div, enquanto a jovem rainha observa, nervosa. Uma espuma vermelha aparece, e ela desmaia. Mas, quando acorda, vê espuma branca, e o cavalo está vivo. Ele lhe diz que agora ela está salva do Div para sempre, mas também chegou o momento de ela matar o cavalo. Ela deve jogar a cabeça dele fora, colocar cada uma de suas pernas em um ponto cardeal, jogar as entranhas e então se sentar com seus filhos sobre as costelas. 


A garota protesta; não quer matar o cavalo, mas ele a convence de que isso deve ser feito. Ela segue suas instruções e por fim se senta com os bebês sobre as costelas do cavalo. Todas as partes desmembradas do animal se transformam agora num paraíso: as pernas viram árvores de esmeralda; das entranhas se formam lindas aldeias; as costelas se transformam em um castelo de ouro; e da cabeça jorra um lindo rio cristalino.


Enquanto isso, o rei volta da caçada e percebe que sua rainha desapareceu. Fica muito zangado quando descobre o que aconteceu. Em sua fúria e dor, ele mata todas as pessoas na cidade e quase fica louco. Após o massacre, ele se torna um daroês e parte em busca da esposa. Acaba encontrando o bela paraíso que havia brotado do sacrifício do cavalo mágico, e se  maravilha com a paisagem e o castelo.


Ele pergunta a uma criada que está tirando água do rio quem mora no castelo de ouro. Ela lhe diz que o castelo é o lar de uma viúva e de seus dois filhos. O rei desconfia que sua busca terminou - que é a sua esposa que mora naquele paraíso. Enquanto a criada não está olhando, ele coloca seu anel no balde de água. 


A rainha reconhece o anel e corre, com os filhos, para se encontrar com ele. A família está reunida novamente, alegre, e todos passam a viver juntos na linda cidade.


* O conto original, "Das Zauberross", encontra-se em Symbolik des Märchen, vol. 1, p. 738 em diante, de Hedwig von Beit.


Nessa história trabalham-se elementos da figura masculina interior na mulher e a figura feminina interior no homem. Quando contei esta história para uma mulher com problemas no casamento a mais de um ano, na semana seguinte, conseguiram se acertar e se harmonizar.