Para salvar o dia ... empatia

Atualizado: 8 de Jun de 2019

Domingo pela manhã. As crianças ainda não levantaram e nós estamos de preguiça no sofá. Enquanto ele assiste a TV eu vejo emails no celular. Acabo abrindo um desses newsletter de decoração e vejo imagens inspiradoras que sempre deixam a gente com  vontade de reformular algum ambiente da casa e dessa vez olho com vontade para o espaço que fizemos de escritório. Ando numa vibe clean, menos é mais, guarda roupa cápsula e por aí vai e penso que as estantes planejadas poderiam ser substituídas por uma bancada e duas pranchetas para colocar os livros, nos forçando a priorizar o que sobraria numa tentativa de não entulhar tantas coisas.

Comento sobre isso com o maridão que responde em um tom de voz acusatório,

"Pois é, quando estávamos vendo o que fazer para o escritório eu falei para você para escolhermos coisas mais clean, mas você ficava dizendo que precisaríamos de espaço para guardar as coisas das crianças! " 

Fiquei meio paralisada sem saber de onde isso surgiu. Sinais de alerta soam na minha cabeça e penso comigo que aí tem coisa. Tem uma carinha de conteúdo não visto, coisas vivas dentro dele, desconsiderações, que aparentemente, mesmo depois de quase 5 anos, ainda não foram finalizadas.

Quase ao mesmo tempo que os sinais de alerta soaram um sentimento de rancor deu as caras por vários motivos. Primeiro pelo tom de voz dele, como se me acusasse de ser intransigente, segundo porque aquela era apenas uma conversa de sonhos, possibilidades, imaginação e não uma conversa decisória para mudarmos as coisas no dia seguinte, e por fim, estava difícil constatar que ele havia guardado isso por tanto tempo e supostamente para evitar conflitos comigo ele havia se calado e feito a minha vontade trazendo o desconforto à tona na oportunidade que se apresentava. Em outras palavras, não ter sido autêntico influenciava a imagem que ele fazia de mim afetando a maneira como nos relacionamos.

Respiro fundo, me volto para dentro, dou um checada no que estou sentindo e no que preciso, me oferto empatia, pois só damos o que temos e com as perguntas respondidas, consigo ofertar uma empatia para ele sugerindo,

- "Você ficou chateado na época porque acredita que não considerei sua opinião nas escolhas dos movéis para o escritório? Você está precisando de reconhecimento? "

E ele como uma pessoa que vem passando por essa mudança na maneira de se comunicar junto comigo e que já sentiu os benefícios que essa postura mais empática traz para os relacionamentos percebeu que sim, que tinha coisas vivas dentro dele querendo vir para fora. Quando ofertei empatia nomeando seus possíveis sentimentos e necessidades pude ver a mudança no seu olhar e na sua postura. Menos armado ele me respondeu,

- "Sim, creio que preciso de consideração e reconhecimento pelas minhas opiniões daquela época"

Agora sim, mudamos o clima  da conversa e conseguimos abrir espaço para uma outra maneira de se relacionar. Neste momento eu pude falar o que estava vivo dentro de mim e lhe respondi,

- " Amor, eu fico triste quando percebo que você não é autêntico sobre o que realmente quer e aceita o que eu falo para evitar conflitos. Preciso confiar que você vai expor sua vontade assim como preciso confiar que juntos podemos chegar em um lugar que seja bom para os dois. Como é para você argumentar mais sobre o que quer ao invés de acreditar que precisa evitar conflitos comigo?"

Ele ficou quieto, olhando seu mundo interno e eu aproveitei esse momento, já que existem outras influências terapêuticas na minha vida além da #comunicaçãonãoviolenta e fiz outra pergunta,

- "Você tem ficado chateado com essa falta de reconhecimento e consideração em mais momentos de sua vida além do nosso relacionamento? Com sua mãe? Ou no seu trabalho? Talvez com seus filhos?"

Nesse momento ele pôde reconhecer que esse padrão vem se repetindo em mais momentos de sua vida e muito provavelmente como trouxe consciência para essa postura, ela agora tem condições de ser alterada. Consciência é escolha, inconsciência é repetição e automatismo. 

Depois de dar espaço para o conteúdo de cada um, pudemos ter a conversa que eu havia iniciado. Agora havia clima para falar do que gostavamos, outras idéias interessantes surgiram e foi muito bacana sonhar junto. 

E assim nossa dinâmica de relacionamento vem se alterando gradativamente para um lugar de entendimento e empatia. O resto do domingo acabou sendo mais tranquilo depois desta conversa onde compartilhamos nossos sonhos, atendendo nossas necessidades de acolhimento e consideração um pelo outro. Um sentimento de confiaça apareceu entre nós pois sabemos que podemos partilhar pequenos e grandes assuntos. Essa conexão e intimidade despertou um amor e uma paixão que ficou pelo resto do dia. 


Sabe como teria sido essa conversa antigamente? Deixa eu contar para você um provável desfecho;


- " Amor, olha que legal essa foto de escritório, poderíamos tirar o que temos ali e deixar as coisas mais clean né?

- " Pois é, quando estávamos vendo o que fazer para o escritório eu falei para você para escolhermos menos coisas, mas você ficava dizendo que precisaríamos de espaço para guardar as coisas das crianças!"

- " Meu Deus! Pra que falar desse jeito comigo?! Vai dizer que não é verdade? Onde colocaríamos as colas, lápis de cor e papéis? As agendas dos anos passados? Onde guardaríamos tnt, tecidos etc para os trabalhos escolares? Ia ter que comprar sempre todas ás vezes!"

- " Pronto, fizemos do seu jeito não foi? Não sei porque quer inventar moda agora."


O final seria eu emburrada e sem vontade de passar os momentos com ele durante o dia, além de não querer compartilhar mais nada porque com certeza acreditaria que receberia uma patada e com o tempo eu passaria a fazer as coisas escondidas. Ele ficaria chateado porque além de achar que não dei ouvidos para ele na época confirmaria que no presente eu continuaria não dando ouvidos para ele com receio de não ser bem recebida.


E você, como andam as dinâmicas e conversas nos seus relacionamentos?


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