Quando você quer algo sério na terapia com histórias
- há 4 dias
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Este é o segundo episódio da série Caminhos da Contoterapia®, em que Anna Rossetto conversa com profissionais que passaram pela formação e levam esse aprendizado para a vida e para o trabalho de formas diferentes. Hoje, a conversa é com Angélica Luchese Barnes, psicóloga, astróloga e contoterapeuta.
Angélica tem 30 anos de carreira. Psicóloga de formação, foi acrescentando outras práticas ao longo do tempo: terapia floral, astrologia, mandala terapia. Cada uma chegou no momento certo, respondendo a algo que o trabalho clínico pedia.
Quando chegou à Contoterapia®, ela estava saturada de ofertas. "Eu sempre busquei algo sério", ela diz. "Algo que me desse base, alicerce. E eu vi que ali eu encontraria."
O que a trouxe até aqui foi reconhecimento. Ela pesquisou, olhou, identificou algo que tinha substância. E começou.
O que acontece quando o paciente trava
Havia momentos na clínica em que a conversa simplesmente parava. O paciente travava. E as ferramentas disponíveis chegavam até certo ponto.
Foi nesses momentos que o conto começou a fazer sentido para Angélica.
"Através do conto eu conseguia fazer algumas reflexões, algumas perguntas, e aí a pessoa começava a ir pro caminho."
Ela conta um caso. Uma quinta-feira, três dias antes do casamento marcado, um paciente antigo a procura. Ele e a noiva tinham preocupações sérias sobre a relação. Duas horas de conversa não mudariam dois anos de uma dinâmica estabelecida.
Angélica ouviu. No final da sessão, trouxe o conto do porco-espinho.
A história é simples. No inverno, os porcos-espinho se juntam para se aquecer. Os espinhos incomodam. Cada um recua para seu canto. Separados, correm risco. Então voltam e aprendem, aos poucos, a encontrar a distância onde o calor supera o desconforto.
No dia seguinte, o paciente escreveu: "E se o porco-espinho arrancasse os espinhos dele? Não seria mais fácil?"
Angélica respondeu: "Até seria. Mas ele deixaria de ser porco-espinho."
Eles não se casaram.
"Eu não esperava que a história fosse pegar tão profundo", ela diz. "O conto trouxe à tona o problema real, eles iam se despersonalizar para se encaixar no outro."
O que ela descreve é uma das características mais específicas da terapia com histórias. O conto oferece uma imagem. A pessoa se reconhece no próprio ritmo, sem que ninguém precise nomear nada em voz alta.
"Ele é sutil e generoso. Parece o som de piano. Você toca e aquilo vai fazendo acordes."
Nove meses de formação em terapia com histórias
A formação em Contoterapia® durou nove meses. Angélica usa a palavra gestação com naturalidade. Começou no mês do seu aniversário, terminou em novembro, e a sensação foi de trazer algo novo ao mundo.
Depois da formação, ela e duas colegas criaram o Clube do Conto ao Encontro, um grupo de prática onde cada uma escolhe um conto, prepara a condução e leva para um grupo de mulheres. O que descobriram foi que os três contos escolhidos independentemente se conversavam: um japonês, um grego, um brasileiro, todos girando em torno do mesmo tema. Mulheres que tinham muito a mostrar e ainda estavam encontrando o caminho para isso.
"Quando o outro percebe algo que não estava na sua intenção consciente, você vê o quanto isso é potente."
O que ela diria para quem está onde ela estava
Angélica fala com franqueza sobre o mercado de formações. Viu muita promessa vaga, muito entusiasmo sem fundamento. Foi exatamente isso que a fez demorar para encontrar o que queria.
Quando pergunto o que ela diria para um profissional que chegou num ponto de saturação, ela responde sem hesitar:
"Faz contoterapia. É outro caminho. Sai um pouco do trivial."
O conto, ela explica, revela o que já estava lá. E uma vez que a pessoa vê, algo se move.
"Uma vez que ele abriu, ele abriu. Não cabe mais a tampa."
Angélica Luchese Barnes é psicóloga, astróloga e contoterapeuta. Atende em consultório e conduz grupos com terapia com histórias. Você pode acompanhar o trabalho dela no Instagram: @angelicaluchesibarnes




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